O registro do primeiro caso de moko da bananeira no município de Rodrigues Alves, na região do Juruá, acendeu um alerta no Acre e mobilizou o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf) a intensificar as ações de monitoramento e erradicação da doença no estado.
Ao longo desta semana, equipes formadas por engenheiros agrônomos e técnicos do órgão estiveram em campo, reforçando e atuando diretamente junto aos produtores rurais com orientações, inspeções e medidas de controle. A iniciativa busca conter o avanço da doença e evitar prejuízos ainda maiores à bananicultura, atividade importante para a economia e a subsistência de muitas famílias acreanas.
Causado pela bactéria Ralstonia solanacearum Raça 2, o moko da bananeira é uma doença de rápida disseminação, podendo ser transmitida por mudas contaminadas, ferramentas agrícolas, solo, água e até insetos. Essa facilidade de propagação torna o controle ainda mais desafiador e exige atenção redobrada por parte dos produtores.
A doença ataca a planta de forma sistêmica, comprometendo todo o seu desenvolvimento. Entre os principais sintomas estão o amarelecimento das folhas mais novas, seguido de murcha, escurecimento interno do pseudocaule e a liberação de uma secreção viscosa quando a planta é cortada. Os frutos também podem ser afetados, apresentando deformações, amadurecimento precoce e perda de qualidade, o que os torna impróprios para comercialização.

Em situações mais severas, o moko pode levar à morte da bananeira antes mesmo da formação dos cachos, com perdas que podem chegar a 100% da produção em áreas afetadas. Diante desse cenário, a atuação rápida e coordenada é fundamental para evitar a disseminação da doença.
De acordo com a coordenadora estadual do Programa de Sanidade da Bananicultura, Malena Lima, o envolvimento dos produtores é peça-chave nesse processo. “A identificação precoce e a comunicação imediata ao órgão são fundamentais para evitar a disseminação da doença e proteger a produção rural do nosso estado”, destaca.
Como parte das ações desenvolvidas, o Idaf também tem fortalecido as orientações preventivas no campo. Entre as principais recomendações estão o uso de mudas sadias e certificadas, a higienização constante de ferramentas, a restrição do trânsito em áreas suspeitas e a erradicação adequada de plantas infectadas.
Ao todo, o Idaf já executou 260 inspeções em propriedades rurais desde setembro de 2025 até abril de 2026, nos municípios de Cruzeiro do Sul e Rodrigues Alves. A área aproximada de plantio de banana monitorada é de 1.000 hectares. Nesse período, foram erradicados três focos da doença, sendo dois em Rodrigues Alves e um em Cruzeiro do Sul.

As atividades reforçam o compromisso do Idaf com a defesa agropecuária, a sanidade vegetal e o fortalecimento da produção rural acreana, que vem apresentando crescimento. E segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de banana no estado alcançou uma estimativa de 87.352 toneladas no mês de março, evidenciando a importância da cultura para a economia local.
“Estamos com uma safra de banana bastante produtiva, sendo uma das culturas mais relevantes do estado, predominantemente conduzida pela agricultura familiar, pequenos produtores e ribeirinhos. O trabalho de controle da doença é justamente para prevenir e reduzir os prejuízos econômicos que o setor pode sofrer. No entanto, este é um momento de atenção e responsabilidade compartilhada. A colaboração entre produtores e órgãos públicos é essencial para conter o avanço do moko da bananeira e preservar uma cultura fundamental para o estado do Acre”, ressalta Malena.
