Monilíase do Cupuaçu e Cacau

A monilíase, causada pelo fungo Moniliophthora roreri (Cif.) H.C. Evans, é a principal e mais devastadora doença que acomete as culturas do cacau (Theobroma cacao L.) e do cupuaçu (Theobroma grandiflorum (Willd. ex Spreng.) Schum.), podendo também infectar outras espécies dos gêneros Theobroma e Herrania.

A praga integra a lista das 20 pragas quarentenárias ausentes de maior relevância para a agricultura nacional, em razão de seu elevado potencial de causar expressivos prejuízos econômicos, sociais e ambientais. Sua principal característica é a formação de uma cobertura de coloração branca a creme na superfície externa dos frutos, constituída por grande quantidade de esporos do fungo, com aspecto semelhante ao talco. Esses esporos são facilmente disseminados pelo vento, pela água da chuva, por animais e, principalmente, pelo trânsito humano, o que favorece sua dispersão a longas distâncias.

Ao entrar em contato com plantas sadias, o fungo infecta diretamente os frutos, penetrando a casca, consumindo a polpa e tornando-os impróprios para o consumo. A doença compromete tanto a qualidade quanto o volume da produção, podendo ocasionar perdas de até 90%, com impactos severos na produtividade das lavouras.

O controle da monilíase exige a adoção de ações integradas de monitoramento e manejo, incluindo práticas culturais como a poda de rebaixamento, a coleta e o enterrio de frutos infectados, além de outras medidas fitossanitárias. Desde 2014, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF) realiza ações de prospecção, monitoramento e educação sanitária em todo o estado. Contudo, em julho de 2021, foi detectado o primeiro foco da doença nos municípios de Cruzeiro do Sul e Mâncio Lima, na regional do Juruá, configurando o primeiro registro da praga em território nacional.

Além do Acre, a monilíase também foi identificada nos municípios de Tabatinga, Benjamin Constant e Urucurituba, no estado do Amazonas.

No Acre, o controle da doença é realizado em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). As ações de supressão nas áreas com ocorrência incluem prospecções fitossanitárias, podas sanitárias e de rebaixamento da copa das plantas hospedeiras, bem como a coleta e a destruição de frutos infectados, com o objetivo de reduzir a disseminação do fungo.

O IDAF também mantém barreiras fitossanitárias em pontos estratégicos, visando conter a monilíase e evitar sua dispersão para outras regiões do estado. Nessas barreiras, todos os veículos que saem das áreas de ocorrência são submetidos à fiscalização. Paralelamente, as equipes de Defesa Sanitária Vegetal realizam ações de monitoramento nas demais regionais do estado, tanto em áreas de produção quanto em áreas urbanas, além de atividades educativas junto às escolas das redes públicas, comunidades e produtores rurais, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção e do controle da monilíase.

Caso sejam observados frutos de cacau ou de cupuaçu com a presença de uma cobertura branca na casca, a orientação é comunicar imediatamente o escritório do IDAF mais próximo, para que uma equipe de Defesa Sanitária Vegetal seja deslocada para a verificação e adoção das medidas fitossanitárias cabíveis. O enfrentamento da monilíase exige o esforço conjunto dos órgãos de defesa agropecuária, produtores rurais e da comunidade em geral, a fim de evitar a disseminação dessa praga devastadora para outras regiões do país e os consequentes prejuízos à agricultura nacional.

Legislação específica:

Instrução Normativa nº 112, de 11 de Dezembro de 2020 – Institui o Plano Nacional de Prevenção e Vigilância de Moniliophthora roreri – PNPV/Monilíase

Portaria SDA nº 703, de 21 de Novembro de 2022 – Declara os municípios de Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter no estado do Acre e todo o estado do Amazonas, como área sob quarentena para a praga quarentenária ausente Moniliophthora roreri.

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