A mandioca é a cultura agrícola mais produzida no estado e, em 2024, alcançou uma produção aproximada de 600 mil toneladas. Seus principais subprodutos são a farinha, goma e tucupi, que representam a principal fonte de renda de inúmeros produtores rurais, exercendo papel fundamental na geração de emprego e renda, na segurança alimentar e na valorização da agricultura familiar em todo o território acreano.
No Acre, a farinha de mandioca, especialmente a produzida no Vale do Rio Juruá, conhecida como farinha de Cruzeiro do Sul, é reconhecida por sua qualidade e tradição, e possui selo de Indicação Geográfica, o que reforça sua importância econômica, cultural e social.
No entanto, vários entraves podem ser apontados como ameaça ao fortalecimento desta cadeia, destacando-se dentre eles a grande incidência do mandarová-da-mandioca (Erinnyis ello (L.). Na fase larval, o inseto se alimenta intensamente das folhas da mandioca, comprometendo o crescimento das plantas e o desenvolvimento das raízes. Ataques severos em plantas jovens podem resultar em perdas de até 100% da produtividade, enquanto em plantas adultas os danos reduzem significativamente a quantidade e a qualidade das raízes, podendo ocasionar perdas de até 50% na produção de farinha em áreas afetadas. O monitoramento frequente das lavouras é fundamental para a identificação precoce da praga e a adoção oportuna de medidas de controle, reduzindo prejuízos à produção.
Outro risco fitossanitário de elevada relevância é a vassoura-de-bruxa da mandioca, causada pelo fungo Ceratobasidium theobromae (Rhizoctonia theobromae). A doença é caracterizada pelo crescimento anormal de brotos, formando estruturas conhecidas como “vassouras”. Entre os principais sintomas estão o nanismo das plantas, a proliferação de brotos finos e fracos nos caules, entrenós curtos e necrose vascular. Com a progressão da doença, ocorre clorose, murcha e seca das folhas, morte apical e morte descendente das plantas, resultando em redução significativa da produtividade e comprometimento da qualidade da produção.
Em 2023, a vassoura-de-bruxa da mandioca foi identificada em terras indígenas do município de Oiapoque, no estado do Amapá. Atualmente, a doença encontra-se restrita aos estados do Amapá e Pará. Ressalta-se que, até o momento, não existem cultivares de mandioca resistentes à doença, nem tratamentos comprovadamente eficazes para o seu controle, o que reforça a necessidade de adoção de medidas preventivas rigorosas para evitar sua introdução em novas áreas produtoras.
Diante desse cenário, o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (IDAF) exerce papel estratégico na proteção da cadeia produtiva da mandioca, atuando tanto no controle de pragas presentes quanto na prevenção de pragas ausentes no estado. As ações desenvolvidas pelo Instituto incluem o monitoramento fitossanitário das lavouras, a realização de levantamentos de pragas e doenças, a orientação técnica e a educação sanitária junto a produtores e comunidades rurais, além da fiscalização do trânsito de materiais vegetais. Essas medidas visam preservar a sanidade da cultura, proteger a produção de farinha e garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva da mandioca no Acre.
Legislação específica:

