Pragas dos Citros

Os citros, pertencentes aos gêneros Citrus, Poncirus e Fortunella da família Rutaceae, incluem frutas de grande importância comercial, como laranjas, tangerinas, limões, limas, pomelos e seus híbridos. No Acre, embora representarem menos de 1% da produção nacional em 2024 (Abrafrutas, 2025), foram a terceira frutífera em área colhida, com 687 ha (IBGE, 2025).

Diversas pragas atacam os citros, e o Programa Estadual de Sanidade Citrícola do IDAF concentra esforços no monitoramento de pragas quarentenárias, conforme a IN 38/2018. Entre elas destacam-se o cancro cítrico (Xanthomonas citri subsp. citri), monitorado segundo a IN 21/2018, e o Huanglongbing (HLB/Greening), conforme Portaria 1326/2025 (Candidatus liberibacter americanus e Candidatus liberibacter asiaticus), ainda não confirmados no Acre.  Também são relevantes ao programa o ácaro hindustânico (Schizotetranychus hindustanicus) e a mosca-da-carambola (Bactrocera carambolae).

O HLB é considerado uma das maiores ameaças à citricultura mundial. Presente no Brasil desde 2004 (Coletta Filho et al., 2004) é causado principalmente por Candidatus Liberibacter asiaticus, responsável por mais de 99% dos casos (Fundecitrus, 2025). A transmissão ocorre pelo psilídeo Diaphorina citri, tanto em fase adulta quanto nas ninfas do quarto e quinto instar (Figura 1) (DEGAV, 2021). Durante a alimentação o inseto inocula as bactérias no floema, bloqueando o fluxo de seiva e comprometendo a fotossíntese (Coletta Filho & Carlos, 2010).

Os sintomas variam conforme a espécie, idade da planta e estágio da doença. Entre os principais estão folhas mosqueadas com manchas assimétricas, ramos amarelados, frutos pequenos e deformados, sementes abortadas, sabor amargo e necroses no albedo (Figura 2 e 3). Em alguns casos, observam-se manchas esverdeadas nos frutos. Esses sintomas resultam em severa redução na produção e, em casos extremos, na morte das plantas (Coletta Filho & Carlos, 2010; Espaço Visual, 2022). Algumas plantas da família Rutaceae, como a murta, podem atuar como hospedeiras alternativas do vetor. O controle fundamenta-se em mudas sadias, eliminação de plantas doentes e manejo do vetor (MAPA, 2025).

Figura 1. Vetor Diaphorina citri. A) Psilídeo adulto; B) Ninfas de IV e V instar. (Fotos: Hall, 2018)

Figura 2. Sintomas gerais de huanglongbing: A) amarelecimento geral do ramo doente, B) contraste entre o verde normal dos ramos sem sintomas e o amarelo pálido dos ramos com ponteiros sintomáticos (Coletta Filho & Carlos, 2010).

Figura 3. Frutos deformados, com necroses amarelo-escuro no albedo, e normalmente com a maioria das sementes abortadas. (Foto: AZEVEDO, Cláudio Luiz Leone)

O cancro cítrico, também de origem bacteriana, não provoca a morte das árvores doentes, mas as espécies e variedades de citros de importância comercial. Registrado no Brasil desde 1957 (Fundecitrus, 2025), dissemina-se por materiais contaminados, vento, insetos e roupas (MAPA, 2025). A doença ocasiona lesões locais em folhas, frutos e ramos, penetrando por meio estômatos ou ferimentos provocados pelo vento, operações no pomar ou pela larva minadora (Phyllocnistis citrella) (MAPA, 2025).

Os sintomas (Figura 4) incluem pontos escurecidos nas folhas, geralmente com halo amarelado, evoluindo para pústulas marrom-claras, inicialmente visíveis na face inferior. Nos frutos, as lesões aparecem com maior frequência na parte externa da copa, podendo formar anéis circulares e rachaduras. Nos ramos, embora menos comuns, as lesões são importantes para a sobrevivência da bactéria, permanecendo por vários anos e causando rachaduras que levam ao ressecamento e comprometem o desenvolvimento da planta, especialmente nos primeiros anos (Fundecitrus, 2025).

Sintomas de cancro cítrico em folhas, frutos e ramos de citros. (Fotos: Fundecitrus).

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